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Página 9 (última da secção "Portugal")
Movimento pelo casamento gay está na estrada 01.06.2009, São José Almeida
O manifesto tem mais de mil subscritores. O objectivo é legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo A sala principal do Cinema São Jorge, em Lisboa, encheu-se ontem para assistir ao lançamento do primeiro movimento da sociedade civil em defesa dos direitos dos homossexuais, concretamente do direito ao casamento civil. Uma sessão em que, entre a plateia, eram notórios a solenidade e o inedetismo do momento.
A sessão destacou-se pela presença de várias pessoas que não militam em associações homossexuais, o que deu um carácter inédito a esta sessão. Na plateia sentava-se a eurodeputada do PS Edite Estrela, conhecida defensora desta causa e principal responsável pelo facto de a moção de estratégia com que José Sócrates foi eleito líder do PS, a
14 de Fevereiro, prometer a legalização do casamento gay na próxima legislatura.
Na sessão, apresentada por Sónia Duarte Lopes, da Associação para o Planeamento da Família, intervieram a constitucionalista Isabel Mayer Moreira, a actriz e escritora Ana Zanatti, o psiquiatra Daniel Sampaio e o empresário e comentador Pedro Marques Lopes. Todos defenderam a legalização no Código Civil dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Isto depois da actriz Fernanda Lapa ter lido o manifesto fundador do MPI. O documento, que tem como fim pressionar o poder político a mudar a lei, contava já com mais de mil assinaturas no momento em que arrancou a sessão e entra agora em fase de subscrição pública na Net (www.igualdade.net). À sessão de apresentação seguiu-se um debate sobre o futuro do MPI e os moldes em que se assumirá como movimento da sociedade civil.
No palco, Isabel Mayer Moreira sublinhou que "um dos factores pelo qual se mede o estado de civilidade de um país é como trata as minorias". Manifestou-se contra "argumentos terroristas" como os que confundem casamento gay com poligamia, rejeitou como juridicamente inválidas visões que confundem casamento com procriação e classificou como "inadmissível a tentação referendária", afirmando que isso "seria totalitário". E concluiu que desde sempre "o direito vai à frente" em matéria de conquista de direitos individuais, dando como exemplo o fim da escravatura e os direitos das mulheres.
Já Ana Zanatti defendeu o direito ao casamento entre homossexuais assumindo-se como integrante desta minoria. "Estou a reclamar os meus direitos como cidadã que quer ou não casar", afirmou Ana Zanatti, considerando ainda que não aceita "perder direitos por ser minoria".

